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Na carona de Nunes, Tarcísio assume a liderança da direita para 2026.

Eleições municipais, na entressafra das nacionais, sempre terá o efeito de produzir alterações razoáveis no cenário político. 2024 não será diferente. No andar de cima da nossa política, a leitura é bem objetiva; Lula precisa rasgar sua agenda internacional de prioridades e olhar para o Brasil e, na ponta oposta, uma ultrapassagem segura, como o liberado Tarcísio agora à frente do inelegível Bolsonaro.



Política será sempre assim; o poder tem um magnetismo todo especial e sempre atrai a fatia pendular, majoritária, do tabuleiro político. Um amigo, agora fora de circulação, me dizia com sinceridade “Sou sempre coerente; sou governo. O problema é que ele, o governo, muda de identidade de vez em quando. Eu não! Sigo firme e resoluto, sendo sempre governo”. Uma pérola inigualável do melhor colar do fisiologismo brasileiro.


Ainda que as urnas ainda possam trazer alguma surpresa, nenhuma delas parece ter potencial para alterar a foto que se enxerga a poucos dias do segundo turno, estando desenhado um rascunho consistente das perspectivas à frente para as diversas tendências da política nacional.


Inevitável concluir que o pior resultado é da esquerda, nem tanto pelos números, alinhados com 2020, mas por estar no poder e não conseguir evoluir, exigindo uma urgente correção de rumos. Lula intocável, sem reserva e sem sombra, precisa mudar a estratégia, deixar de sonhar com a ONU ou o Nobel da Paz e tratar de mostrar serviço interno ou nem chega no segundo turno de 2026.


Amparado em diversas eleições, onde a polarização foi substituída por uma disputa mais aberta, com três, ou até quatro nomes, e alguns momentos, o centro tradicional, e mesmo a centro esquerda e a centro direita podem construir agrupamentos consistentes, com alguma viabilidade, fora do quadro rigidamente polarizado. Uma frente ampla poderá mover o sonho de muitos nomes e algumas legendas em torno de composições que isolem os favoritos das pontas. Parece improvável, mas o fim da polaridade também era impensável.


Porém é na direita que as alterações são mais impactantes. Com Bolsonaro fora de combate e sob intenso tiroteio jurídico, a disputa indireta se dividiu em muitos cenários, com lideranças buscando consolidar seus espaços nos estados para projetar voos mais altos em 2026, embora também tenha produzido vítimas que devem rebaixar suas aspirações por falta de competitividade.


Zema, já em setembro, mudava seu plano de voo, em função de projeções negativas que se confirmaram e o deixam apenas como um bom nome para vice, sustentado pelo ótimo contingente eleitoral mineiro. Mas Ronaldo Caiado e principalmente Ratinho saem de seus estados com excelente resultado eleitoral que lhes deve lançar à estrada em busca de visibilidade e espaço para suas pretensões. Se Tarcísio optar pela reeleição, terão força e, principalmente legendas fortes para a disputa e, além disto, são, seguramente, o vice dos sonhos de quase todos presidenciáveis, embora, fora da cabeça de chapa, deve ser muito mais interessante esperar 2030 no plenário do Senado.


Ainda que muito complicado, a análise de Pablo Marçal é necessária e, ainda que a lógica não esteja associada ao seu comportamento político, a sua decisão está atrelada a de Tarcísio. Se o governador paulista opta pela reeleição, joga Marçal para a cena nacional, todavia se Tarcísio é o nome escalado para enfrentar Lula, Marçal cresce muito na disputa paulista que pode ser a sua opção neste cenário.


Com cara e jeito de favorito, Tarcísio deve fazer trinca de ases nas eleições paulistana. Derrota Lula, padrinho de Boulos, elimina o fantasma Marçal, muito mais pelos seus erros, e coloca definitivamente Bolsonaro em segundo plano com a dobradinha bem entrosada com Ricardo Nunes, favorito deste domingo.


Claro que não é uma leitura definitiva porque alguns fatores podem se alterar na leitura definitiva, mas cravar Tarcísio como principal vencedor e Lula como principal derrotado parece definitivo, assim como considero a novidade mais impactante a possibilidade real de que a polaridade seja substituída por uma eleição mais aberta e com mais alternativas.


Muito mais que isto; talvez o brasileiro consiga eleger o melhor dos candidatos e não apenas evitar o pior, algo que pode, finalmente, qualificar nossa democracia.

 

 

 

 

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